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Mãe de Henry Borel processa Prefeitura do Rio após receber perdão judicial
Reprodução/Brunno Dantas/TJRJ

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, deixou o Instituto Penal Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, na tarde de quinta-feira (4). A liberação ocorreu após ela receber o perdão da Justiça pelo envolvimento na morte do garoto de 4 anos, ocorrida em 2021. Agora, a defesa da ex-professora articula uma ofensiva nos tribunais para reverter a exoneração do cargo público, oficializada em março de 2016.

Durante o programa Melhor da Tarde, a jornalista Janaina Nunes, trouxe detalhes sobre a estratégia da ex-servidora. "A Monique, por incrível que pareça, era professora no município do Rio de Janeiro e foi exonerada em março de 2016. Agora, ela vai buscar na Justiça o que considera como direito", relatou.

A intenção de Monique Medeiros de processar o município divide opiniões nos bastidores políticos e jurídicos. Parlamentares fluminenses indicam a intenção de solicitar uma indenização por considerarem que o desligamento da servidora ocorreu de forma errônea.

Janaina Nunes, no entanto, ponderou sobre o impacto moral da possível volta de Monique Medeiros ao quadro de funcionários da educação infantil, uma vez que ela atuava diretamente com crianças.

Eu não vou discutir a lei. Mas eu sei que a lei permite, quando tem homicídio culposo, que a pessoa possa ser servidora pública. Só que há algumas questões: ela está envolvida na morte do filho, uma criança de 4 anos. Então, como uma pessoa dessa pode ser professora de EMEI, de crianças até 5 anos? Isso é impossível"

Monique Medeiros iniciou a carreira na rede pública como professora e, posteriormente, assumiu o cargo de diretora de uma escola na capital fluminense. Antes de ser presa, ela havia pedido licença das funções escolares para atuar no Tribunal de Contas do Município (TCM) do Rio de Janeiro.

O apresentador Leo Dias também comentou o cenário durante a transmissão e destacou que a iniciativa de acionar o Judiciário é livre, embora o resultado seja incerto. "Ela pode entrar com o processo, se vai ganhar é outra história. Exatamente como todos nós podemos entrar com qualquer processo", concluiu o apresentador.

Monique Medeiros deixa presídio

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, deixou o presídio Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, na tarde desta quinta-feira (4), após receber perdão judicial pelo envolvimento no assassinato do filho, o menino Henry Borel, que morreu em 2021 aos 4 anos.

A soltura ocorreu após a expedição de um alvará pela Justiça, que foi recebido pela Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) no início da tarde. Monique saiu do presídio em um carro e não falou com a imprensa. (Veja o vídeo abaixo)

Após dez dias de julgamento, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo (sem intenção de matar) pelo Conselho de Sentença do júri. Os jurados entenderam que Monique agiu com negligência. Com a mudança de entendimento, a juíza Elisabeth Machado Louro concedeu perdão judicial para a ré. Monique, no entanto, foi condenada por omissão diante das torturas sofridas pelo filho e vai cumprir um ano e quatro meses de prisão em regime aberto.

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura pela morte do menino Henry Borel. A sentença foi lida na madrugada desta quinta-feira (4).

Jairinho era acusado de homicídio qualificado, tortura e coação. Monique respondia por homicídio qualificado por omissão, tortura e coação. Em ambos os casos, as acusações tinham como agravantes o fato de as agressões terem ocorrido em ambiente familiar e de a vítima ser menor de 14 anos.

Como foi o julgamento

Durante todo o processo, a acusação sustentou que Jairinho submeteu Henry a sucessivas agressões que culminaram na morte da criança e que Monique tinha conhecimento das violências praticadas contra o filho.

As defesas negaram as acusações. Os advogados de Jairinho afirmaram sua inocência e questionaram a investigação. A defesa de Monique, por sua vez, argumentou que ela não tinha conhecimento das agressões e levantou a hipótese de ter sido “dopada” no dia da morte da criança.

Os interrogatórios dos dois réus ocorreram na última terça-feira (2). Monique foi ouvida primeiro. Jairinho falou em seguida, depois de obter na Justiça o direito de ser o último a depor e respondeu apenas as perguntas feitas pela sua defesa.

Fonte: Band.
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