Após Flávio Bolsonaro (PL) publicar uma carta em que questiona o resultado das eleições brasileiras, partidos emitiram comunicados nesta quarta-feira (28) em que reforçam aceitar o resultado das urnas.
O movimento foi iniciado pelo MDB e pelo União Brasil, partidos que integram a bancada de oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mais tarde, outros partidos se pronunciaram no mesmo sentido.
Por volta das 20h, a bancada governista também assinou uma nota conjunta defendendo o resultado das eleições, assinada por PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT.
Carta de Flávio Bolsonaro
Flávio alega, sem provas, que as eleições presidenciais que reelegeram Lula foram fraudadas. Ele também se autointitula o "verdadeiro presidente do Brasil" no comunicado realizado após chegar a Miami nesta manhã.
No texto, Bolsonaro sustenta que a votação de domingo foi marcada por irregularidades, apontando uma suposta "impossibilidade matemática" na adição de mais de 10 milhões de votos pelo adversário e criticando a extensão do horário de votação.
Além disso, defende a cassação da chapa vitoriosa, de Luiz Inácio Lula da Silva (PL) e Geraldo Alckmin (PSB), sob o argumento de uso indevido da máquina pública e abuso de poder político e econômico, e acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política. Flávio Bolsonaro, no entanto, não apresenta provas.
Partidos reconhecem resultado das Eleições 2026
O pronunciamento do MDB foi feito no perfil oficial do partido no X. "O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo", diz a nota.
O União Brasil definiu a democracia como "valor inegociável" e reforçou que as eleições de domingo "transcorreu com lisura". "O resultado deve ser respeitado", diz o pronunciamento.

Presidente do PSD, Gilberto Kassab não cita de forma nominal o reconhecimento do resultado das urnas e reafirma os compromissos do partido com "iniciativas que busquem corrigir as desigualdades sociais, promover o equilíbrio fiscal e que tragam confiança àqueles que querem investir no Brasil". Contudo, ele abre a carta parabenizando Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, desejando "um bom governo".
"Tenho certeza que nossos parlamentares e governadores eleitos seguirão defendendo os bons projetos e manterão a relação republicana com o Governo Federal, em defesa do objetivo comum a todos nós, que é o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar da nossa população", concluiu Kassab.
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, chamou a postura de Flávio Bolsonaro de "incompreensível" e citou que a sigla trabalhará numa "oposição qualificada, firme e dura", mas "tendo como princípios fundamentais o respeito à democracia e à soberania popular".
"O exercício da oposição numa democracia é tão relevante quanto o exercício dos próprios governos. E ele deve se dar em território nacional, fiscalizando os atos do governo e cobrando os compromissos por ele assumidos com a população. O atual governo receberá uma herança, essa, sim, maldita, criada em boa parte por ele próprio durante as eleições. Mas tudo isso tem que ser feito dentro das regras da democracia, com respeito às instituições e ao processo eleitoral."
A nota da bancada governista diz que a contestação de Flávio Bolsonaro "não se sustenta" e reitera que a prorrogação do horário de votação foi solicitado por meio das vias legais pelos partidos dos dois candidatos: PL e PT.
A bancada governista também chama atenção à estratégia similar adotada por Jair Bolsonaro (PL) ao perder as eleições de 2022, também para Lula, e relembraram os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
"Não é a primeira vez que a família Bolsonaro se recusa a aceitar a vontade das urnas. Em 2022, Jair Bolsonaro tramou uma tentativa de golpe de Estado, que incluía o plano de assassinar o presidente e o vice-presidente eleitos. A democracia resistiu, e ele e os militares envolvidos foram condenados e estão presos. O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada", conclui a nota.
Justiça Eleitoral reitera 'absoluta normalidade' da votação
Em resposta direta à manifestação de Flávio Bolsonaro (PL) — que se autodeclarou "verdadeiro presidente" e alegou supostas fraudes sem apresentar provas —, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, saiu publicamente em defesa da legitimidade do pleito. O magistrado afirmou em nota oficial que o processo eleitoral transcorreu dentro da "mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais", classificando a disputa de 2026 como a mais inclusiva da história da República brasileira.
Nunes Marques destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade soberana das urnas e ressaltou que, mesmo diante de instabilidades pontuais na reta final de votação, a atuação técnica do tribunal permitiu concluir a apuração com total segurança. O presidente da Corte eleitoral garantiu ainda que eventuais questionamentos formalizados no âmbito do devido processo legal serão rigorosamente analisados e respondidos pelos canais institucionais competentes.