O ex-diretor da Globo, Boni, revelou nas redes sociais qual a demissão mais difícil que teve que fazer nos mais de 30 anos dentro da emissora. Em vídeo, o empresário contou como a saída de Dercy Gonçalves foi um dos momentos mais doloridos na carreira, principalmente pela pressão feita pela censura do regime militar.
O diretor contou que era amigo de Dercy e que era apaixonado pelo trabalho e pela pessoa dela. "De repente não tínhamos outra solução. Primeiro que o programa dela era ao vivo e era objeto de censura do governo militar", contou.
Segundo ele, a ditadura exigiu que o programa fosse gravado e que perdia muito conteúdo por conta da censura. "A gente gravava três horas e perdia uma hora, parte disso ou mais, porque a censura cortava. E o corte foi aumentando, até o momento que a gente não tinha um programa para ir ao ar", lamentou.
Boni ainda contou que houve pressão para que ela fosse demitida. "Muita gente diz que isso é uma intervenção nossa, porque houve pressão do governo militar. Houve pressão através da censura, não conseguimos resistir à questão financeira, fomos punidos financeiramente", pontuou.
O diretor conta que na época, a Globo tinha problema de caixa e não era possível sustentar o programa de Dercy Gonçalves com a censura e sem patrocínios. "Então Dercy, que era nossa rainha, tive que chamar e dizer que dentro das circunstâncias, eu não poderia mantê-la, mas assim que possível, chamaria ela de volta", disse.
Para Boni, esse foi um momento doloroso da própria vida. "E assim o fiz, mas foi um momento dolorido da minha vida, ter que ficar sem a minha querida Dercy Gonçalves", lamentou.