O Ministério Público de São Paulo solicitou autorização à Justiça para vender quatro dos seis automóveis de luxo apreendidos com Deolane Bezerra, além de incorporar outros dois à frota da Polícia Civil. A medida cautelar foi proposta pelo Serviço de Recuperação de Ativos do Estado para evitar que os bens percam valor de mercado e continuem a gerar despesas públicas de conservação enquanto o processo judicial está em andamento.
Presa preventivamente sob suspeita de lavagem de dinheiro e envolvimento com organização criminosa, a influenciadora digital e advogada teve a frota recolhida durante as investigações policiais. No programa Melhor da Tarde, da Band, os apresentadores e debatedores analisaram os bastidores do pedido judicial e os impactos patrimoniais da retenção dos bens.
O conjunto de seis automóveis atinge a avaliação de R$ 8 milhões. Entre os veículos listados para alienação antecipada estão uma Mercedes, um Cadillac, uma Range Rover e um Volkswagen Tiguan. Já uma caminhonete Amarok e um utilitário esportivo Jeep Commander foram indicados para uso operacional das forças de segurança.
Desvalorização acelerada e custos de conservação
O argumento central para solicitar o leilão prévio à conclusão da ação penal é a preservação do valor econômico dos itens. Modelos importados e veículos equipados com blindagem sofrem desgaste acelerado e perdem cotação de mercado de maneira significativa quando permanecem parados em pátios de custódia.
Além da desvalorização estrutural, a manutenção e a guarda de automóveis de grande porte impõem custos contínuos ao Estado. Durante o debate no programa, Chris Flores e Thiago Pasqualotto destacaram que a conversão dos bens em dinheiro funciona como uma proteção patrimonial, impedindo que o tempo de tramitação processual degrade o valor total dos veículos.
Com a autorização da Justiça, a quantia arrecadada na venda não é destinada a Deolane Bezerra nem ao poder público de forma imediata. O montante integral fica retido em depósito judicial vinculado aos autos até a decisão definitiva do tribunal.
Na hipótese de absolvição ao fim do processo, o valor acumulado e devidamente corrigido é devolvido à proprietária. A repórter Janaina Nunes ressaltou que a medida resguarda o patrimônio de prejuízos decorrentes do encalhe prolongado, embora envolva itens personalizados que marcavam a presença digital da influenciadora nas redes sociais.
Perícia em aparelhos telefônicos e pedidos da defesa
Além da controvérsia em torno do destino dos veículos, o caso conta com impasses periciais relacionados aos telefones celulares apreendidos na investigação. A equipe jurídica de Deolane Bezerra ingressou com requerimento formal na Justiça para acompanhar todas as etapas de extração e análise dos dados armazenados nos aparelhos.
Segundo a defesa, o órgão pericial responsável informou não dispor de infraestrutura suficiente nem de banco de dados para arquivar com segurança o material digital sob checagem. Em razão dessas limitações, os advogados solicitaram a transferência dos trabalhos técnicos para equipes especializadas em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, além de prazo suplementar para estruturar as alegações do caso.
Prisão de Deolane Bezerra
Deolane está presa preventivamente desde o dia 21 de maio, quando foi detida em Barueri (SP) durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Ela foi denunciada e se tornou ré sob a acusação de praticar crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, Deolane teria um papel central na estrutura financeira do grupo, utilizando suas contas bancárias e sua projeção pública para mascarar transações de altos valores oriundas de uma transportadora apontada como braço financeiro da facção.
A OAB-SP ingressou como 'amigo da corte' no habeas corpus apresentado pela defesa de influenciadora para que ela seja transferida para uma Sala de Estado-Maior. O espaço é instalado em unidades das Forças Armadas ou de forças auxiliares, como a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.