O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (19) que o afastamento de dois servidores da entidade monetária é “gravíssimo” por envolvimento no caso Banco Master. A declaração foi feita durante a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Os servidores teriam atuado como “consultores” e repassado informações internas ao Banco Master em troca de propina. Eles, que foram alvos da terceira fase da operação Compliance Zero, foram identificados como Belline Santana, ex-chefe do setor, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto.
“Foi gravíssimo e só a justiça vai determinar o que realmente aconteceu, mas que é o afastamento de dois servidores do Banco Central de carreira. Eu acho que é dos fatos mais graves que já aconteceu na história do Banco Central, todo o corpo técnico do Banco Central, como eu já comentei, sente um efetivo luto com o que aconteceu”, disse Gabriel Galípolo.
“Não cabe ao Banco Central julgar, vai ser a justiça que vai determinar o que realmente ocorreu, mas os indícios em si já foram algo que foi muito grave e que causou uma grande sensibilização por parte de todos os servidores, eu inclusive ali”, acrescentou o presidente do BC.
Segundo Gabriel Galípolo, ao longo de 2025, a captação liquida do Banco Master foi de menos de R$ 11,5 bilhões. “Hoje está vindo à tona uma série de comunicações, a gente percebe que essas comunicações denunciam um certo asfixiamento financeiro do grupo, como está percebendo a restrição de recursos que existiam ali”.
“"Concordo que o que está consternando as pessoas não é o passivo (dívida do Master), mas o que foi feito com o dinheiro. Ele é um banco S3, na terceira divisão do futebol do sistema financeiro, não oferece risco sistêmico, é menor de 0,5%,. O que se chama a atenção é o que se fazia com o dinheiro que estava no Banco Master", declarou Galípolo.