Uma lista de pagamentos atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como o maior contraventor em atividade no Rio de Janeiro, cita o ex-governador Cláudio Castro (PL), deputados e até um delegado da Polícia Federal entre os beneficiários de repasses do jogo do bicho. A relação foi apreendida pela PF e embasou a quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2) para aprofundar a apuração sobre lavagem de dinheiro da nova cúpula da contravenção no estado.
Aparecem também na planilha os ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar – que também foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) – e TH Joias, o delegado federal Felício Lacerda, que já havia sido alvo de outras investigações.
Para parte dos nomes, os investigadores tiveram acesso apenas à identificação, sem o valor correspondente na coluna de pagamentos. O jornalismo da Band confirmou ainda que o ex-governador aparece na planilha recebendo R$ 2 milhões. O mesmo valor é atribuído ao deputado estadual Rodrigo Amorim (PL).
A investigação da PF se estendeu por cerca de dois anos, com análise de telefones e planilhas apreendidos que indicam repasses do contraventor a diversas figuras influentes, durante campanhas eleitorais e, posteriormente, em suposta troca de favores. Quais seriam esses favores ainda não foi detalhado pela corporação, já que a operação foi deflagrada nesta quinta.
A ação desta quinta cumpriu mandados de prisão contra Bacellar, contra o pastor Márcio Poncio e contra o próprio Adilsinho, já detido em presídio federal. Bacellar, que estava no Complexo Penitenciário de Gericino, na Zona Oeste, também deve ser transferido para unidade federal.
Ao todo, foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão e três de prisão, cumpridos nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Marco Antônio Cabral, ex-deputado federal e filho do ex-governador Sérgio Cabral, é alvo de mandado de busca e apreensão. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou ainda o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.
A quinta fase foi deflagrada depois que a PF identificou na lista de Adilsinho registros de pagamentos indevidos, doações eleitorais e possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do estado. A apuração investiga a lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e uma possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo fluminense.
A prisão de Adilsinho, ocorrida em fevereiro em uma ação classificada por delegados como um "baque para a máfia", já havia exposto a estrutura do grupo, que combinava o jogo do bicho, máquinas caça-níqueis e fábricas clandestinas de cigarros na Baixada.
O caso reacende o histórico de crises políticas no Rio de Janeiro. Desde a redemocratização, praticamente todos os governadores fluminenses foram presos, afastados do cargo ou perderam direitos políticos. Benedita da Silva, que governou em 2002, é uma das raras exceções.