Crianças diagnosticadas com obesidade podem sofrer problemas cardiovasculares graves precocemente, ainda durante a infância. Um estudo recente realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que os danos à saúde não são apenas riscos futuros para a vida adulta, mas sim imediatos. A pesquisa acompanhou 130 crianças, com idades entre 6 e 11 anos, e concluiu que a condição eleva as chances de desenvolvimento de aterosclerose, infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC) já nos primeiros anos de vida.
A investigação científica aponta que a obesidade infantil funciona como um gatilho para uma inflamação crônica no organismo. Muitas vezes silenciosa e sem sintomas agudos imediatos, essa inflamação sobrecarrega o sistema cardiovascular e está diretamente associada a alterações hormonais e à resistência à insulina. E
Especialistas alertam que o cenário é agravado pela combinação de sedentarismo, hábitos alimentares inadequados e o consumo excessivo de produtos ultraprocessados.
Prevenção e mudança de hábitos
Embora seja consenso médico que crianças com sobrepeso possuem uma tendência maior a se tornarem adultos obesos, o estudo da Unifesp acende um alerta sobre a urgência de intervenções precoces. No Jornal da Band, Adriana Araujo destaca que o reconhecimento da dificuldade dos pais em implementar dietas balanceadas não deve impedir a dedicação à educação alimentar, fundamental para evitar complicações severas.
A nutrição e a atividade física são os pilares centrais para reverter esse quadro. Para Daniela Camilo, nutricionista especialista em obesidade infantil, a prevenção deve focar na substituição de produtos industrializados por alimentos in natura e minimamente processados. A especialista reforça que frutas, verduras e legumes precisam ganhar mais espaço na rotina familiar para combater a inflamação orgânica.
Além da dieta, o estímulo ao movimento é essencial. Daniela Camilo ressalta que as crianças precisam praticar atividades físicas regulares e, simultaneamente, reduzir o tempo de exposição a telas, como celulares e televisores, fator que contribui significativamente para o ganho de peso e o desenvolvimento do sobrepeso. A estratégia busca garantir que o coração e o sistema circulatório não sofram danos irreversíveis antes mesmo da adolescência.