Alicia Dudy Muller Veiga, a ex-estudante de medicina da Universidade de São Paulo (USP) que ganhou as manchetes nacionais ao desviar quase R$ 1 milhão do fundo de formatura de sua turma, volta ao centro do noticiário jurídico. Agora formada e atuando como médica, Alicia foi condenada a três anos de prisão em regime fechado por um novo golpe, desta vez aplicado contra uma casa lotérica.
De acordo com informações recentes, a nova condenação refere-se a uma tentativa de Alicia em "recuperar" o dinheiro desviado da comissão de formatura através de jogos de azar. A médica teria tentado adquirir bilhetes da LotoFácil que somavam quase R$ 900 mil.
O esquema consistia em utilizar o "Pix agendado" como comprovante de pagamento imediato. No entanto, funcionários da lotérica realizaram cerca de R$ 200 mil em apostas antes de perceberem que o valor não havia sido efetivamente transferido, já que o estabelecimento não aceita agendamentos como quitação. Alicia saiu do local com os bilhetes sem realizar o pagamento real. Por este crime de estelionato, ela recebeu a sentença de três anos, embora sua defesa já tenha manifestado que irá recorrer da decisão.
Relembre o caso
O contexto que levou Alicia a essa situação remonta ao desvio de R$ 937 mil da comissão de formatura da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Na época presidente da comissão, ela realizou nove saques das contas administradas pela empresa Ás Formaturas, alegando inicialmente que o valor seria investido para render mais para os alunos.
Contudo, as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo revelaram que o dinheiro foi usado para benefício próprio, incluindo o aluguel de carros de luxo, consultas com videntes e, massivamente, em apostas lotéricas.
Pontos-chave do processo da USP:
- Status Jurídico: A Justiça aceitou a denúncia do MP-SP, tornando-a ré por estelionato (praticado ao menos oito vezes).
- Condenação Anterior: Pelo caso da formatura, Alicia já havia sido condenada a cinco anos em regime semiaberto.
- Segredo de Justiça: O processo sobre o desvio da formatura segue sob sigilo, e um novo julgamento deve ocorrer após recursos da defesa.
Desfecho para os formandos
Apesar do prejuízo financeiro causado pela ex-colega, os estudantes de medicina não ficaram sem a celebração. Em um acordo mediado pelo Procon-SP, a empresa Ás Formaturas comprometeu-se a realizar a festa para os alunos lesados.
Enquanto aguarda os desdobramentos dos recursos em liberdade, Alicia Veiga segue exercendo a medicina, mas agora acumula duas condenações por estelionato que podem levá-la definitivamente ao sistema prisional.