As investigações sobre a morte do cão "Orelha" colocam em xeque a imparcialidade do processo em Santa Catarina. Segundo apurações da jornalista Patrícia Calderon, reveladas durante o programa Melhor da Tarde, familiares dos jovens envolvidos no crime ocupam cargos de alto escalão no sistema jurídico catarinense. A lista de parentesco incluiria desembargadores, juízes e promotores, o que tem gerado um clima de apreensão entre as testemunhas e pessoas que buscam justiça para o animal.
Essa proximidade com o Judiciário levanta sérias preocupações sobre a segurança de quem colabora com o caso, como os porteiros que presenciaram as ações do grupo. O temor é que as testemunhas se sintam coagidas a não prestar depoimentos por saberem da influência direta dos acusados nos órgãos de fiscalização e julgamento. Durante o programa, foi destacado que esse cenário é considerado extremamente perigoso, pois compromete o senso de segurança e a lisura das investigações locais.
Vídeos inéditos e pedidos de federalização
Além das revelações sobre o meio jurídico, o programa trouxe à tona novos registros obtidos em parceria com o Portal Léo Dias. Os vídeos mostram os mesmos jovens envolvidos no caso do cão Orelha provocando arruaças pelas ruas e tentando invadir festas, demonstrando um histórico de comportamento agressivo e intimidador. Em um dos vídeos, é possível notar o tom de deboche e agressividade dos rapazes contra seguranças e pessoas que tentavam impedir suas ações.
Diante dessas novidades, o movimento para que o caso seja federalizado ganhou ainda mais força. A justificativa de especialistas e ativistas é que, devido ao impedimento de magistrados locais por questões de parentesco — como ocorreu com uma juíza que demorou uma semana para se declarar impedida —, a justiça estadual pode não ter condições de oferecer um julgamento isento. A transferência para a instância federal é vista agora como a única saída para garantir que a influência familiar não barre a punição dos responsáveis pela morte do animal.