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Governo prepara primeiro leilão de baterias para armazenamento de energia

O governo federal prepara para dezembro o primeiro leilão do País para contratar sistemas de armazenamento de energia em grandes baterias. A tecnologia vai permitir guardar parte da eletricidade produzida por fontes solar e eólica que hoje não consegue ser aproveitada e as liberar nos horários de maior consumo. Mais de 6 mil projetos foram inscritos, a maioria no Nordeste, e a previsão é que os sistemas comecem a operar em 2028.

A energia solar e a eólica já respondem, juntas, por mais de 20% da eletricidade produzida no Brasil. O problema é que nem toda essa produção consegue chegar aos consumidores.

Em determinados momentos, a geração é maior do que a capacidade da rede de transportar a eletricidade. Quando isso acontece, o operador do sistema precisa determinar a redução da produção das usinas. Em alguns períodos, o corte supera 20%.

As grandes baterias aparecem como uma alternativa para evitar esse desperdício. Em vez de reduzir a geração, parte da energia poderá ser armazenada e usada mais tarde, principalmente nos momentos em que o sistema elétrico estiver mais pressionado.

“Essa energia armazenada, a gente vai utilizar no horário de pico, que é aquele horário que compreende entre 18 e 21 horas, onde temos vários distúrbios”, explica o engenheiro eletricista Sérgio Pitombo.

O princípio é semelhante ao das baterias usadas diariamente em equipamentos eletrônicos. A energia é armazenada, permanece disponível e pode ser liberada quando necessária. A diferença está na escala: em vez de alimentar um celular, os equipamentos são dimensionados para ajudar a dar mais segurança a toda a rede elétrica.

A capacidade de armazenamento varia de acordo com o tipo de central geradora. Segundo o pesquisador Raul Santos, especialista em energias renováveis, alguns sistemas podem ter energia suficiente para sustentar uma cidade por vários dias.

“De acordo com o tipo de central geradora, você pode sustentar uma cidade até cinco dias. Tem os menores, que é um dia de geração”, afirma.

Santos ressalta, porém, que o objetivo não é substituir as demais fontes do sistema elétrico. “Essas baterias não vão entrar para substituir totalmente, elas vão entrar como um apoio”, diz.

O sistema de armazenamento de energia já vem ganhando espaço em outros países. A China é um dos exemplos. Por lá, são usados contêineres equipados com baterias de lítio para armazenar a eletricidade.

A expansão desse tipo de estrutura está ligada ao avanço das fontes renováveis. A ideia é permitir que uma quantidade maior de energia solar e eólica seja produzida e armazenada sem comprometer a estabilidade do fornecimento.

Os equipamentos funcionam como “baterias gigantes”: guardam energia em momentos de baixa demanda e podem liberá-la nos horários de pico. Dessa forma, ajudam a suavizar oscilações na rede e a reduzir o risco de sobrecarga.

Fonte: Band.
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