A Operação Narcofluxo revelou o que a Polícia Federal considera uma das estruturas de lavagem de dinheiro mais sofisticadas já identificadas no país, com mais de R$ 1,63 bilhão movimentados em menos de dois anos. No centro da investigação está o funkeiro MC Ryan SP. Para a Justiça, a popularidade do artista e o alcance nas redes sociais funcionavam como uma espécie de “blindagem”, permitindo a circulação de valores elevados, como se fossem fruto do sucesso no entretenimento.
A prisão de Ryan ocorreu durante uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista.
A Justiça também decretou a prisão temporária de MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brandon Coelho Couto Silva. Ele foi preso no Rio de Janeiro.
De acordo com as investigações, o esquema operava com três estratégias principais: a pulverização de recursos por meio da venda de ingressos, produtos e ativos digitais para justificar entradas de dinheiro sem origem comprovada; a dissimulação, com uso de criptomoedas, dinheiro em espécie e múltiplas transferências para dificultar o rastreamento; e o uso de terceiros, como “laranjas”, familiares e operadores financeiros para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas movimentações.
Os agentes também identificaram práticas como “aluguel de CPFs” e fragmentação de valores, manobras típicas para driblar sistemas de controle.
A apuração aponta ainda o envolvimento de outros nomes. Entre eles, o influenciador Raphael Sousa Oliveira, ligado ao perfil ‘Choquei’, que teria atuado na divulgação de conteúdos, promoção de plataformas e gestão de crises de imagem do grupo. Ele também foi preso.
Outro citado é Frank Magrini, apontado como operador financeiro com ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os investigadores, ele teria financiado o início da carreira de MC Ryan SP e atuado na engrenagem financeira do esquema.
O influenciador Chrys Dias também aparece como alvo da operação.
Um dos pontos que mais chamam atenção é a ligação com o PCC. A investigação indica que, além de possíveis investimentos iniciais, havia um fluxo contínuo de dinheiro associado à facção, descrito como uma espécie de “mensalidade” proveniente de atividades comerciais ligadas ao grupo.
Para desarticular o esquema, a Justiça autorizou uma operação de grande porte, com cerca de 200 policiais atuando em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 prisões temporárias, além do bloqueio de bens e medidas para impedir a movimentação de recursos.
Durante a operação, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Policiais também encontraram armas e um colar com a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa de São Paulo.
