A Mocidade Alegre (269,80 pontos) é a grande vencedora do desfile das escolas de samba de São Paulo em 2026. O resultado foi anunciado nesta terça-feira (17). Já a Rosas de Ouro e Águia de Ouro foram rebaixadas e vão desfilar no grupo de Acesso 1 em 2027. As agremiações ficaram com, respectivamente, 248,4 e 248,2 pontos.
Nesta manhã, a Acadêmicos do Tucuruvi venceu o Acesso I do Carnaval 2026 paulistano. No segundo lugar ficou a escola de samba da Vila Madalena, Pérola Negra. As agremiações devem voltar à elite do Carnaval em 2027.
As agremiações participam do Desfile das Campeãs, marcado para 21 de fevereiro, que reúne ainda as cinco primeiras escolas colocadas do Grupo Especial. Já Nenê de Vila Matilde e Camisa 12 foram rebaixadas para o Acesso II de SP.
A Mocidade Alegre, que esteve no segundo dia do Grupo Especial, emocionou o público com uma homenagem à atriz Léa Garcia. O desfile foi marcado pela forte presença de jovens e crianças, que reviveram a história da artista na avenida. "Foi emocionante ver como tinha tanta gente jovem, tanta criancinha, desfilando pela primeira vez", relatou a repórter Stefanie Tozzo, que acompanhou a dispersão.
Como foram os desfiles do Grupo Especial
Estreante no Grupo Especial, a Mocidade Unida da Mooca abriu a primeira noite de desfiles com uma homenagem ao Geledés (Instituto da Mulher Negra). O enredo destacou a luta contra o racismo e a valorização da produção intelectual e cultural de mulheres negras no Brasil, com referências a nomes como Conceição Evaristo e Helena Teodoro.
A Colorado do Brás apresentou o enredo “A Bruxa Está Solta! Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, que propôs ressignificar a imagem das bruxas como mulheres guardiãs do conhecimento e da sabedoria.
A Dragões da Real leva à avenida um enredo indígena: “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”. O desfile fezvuma viagem simbólica pela Amazônia a partir da lenda das guerreiras que viviam às margens do atual rio Amazonas em uma comunidade formada apenas por mulheres, destacando também a urgência da preservação ambiental.
A Acadêmicos do Tatuapé apresentou o enredo “Plantar Para Colher e Alimentar. Tem Muita Terra Sem Gente, Tem Muita Gente Sem Terra”, que aborda a trajetória da agricultura no país e as disputas históricas pela posse da terra.
Atual campeã do Carnaval, a Rosas de Ouro apostou na astrologia com o enredo “Escrito nas Estrelas”. O desfile trouxe uma jornada que vai da criação do universo ao momento em que as civilizações passaram a observar e interpretar os astros como guia.
A Vai-Vai levou à avenida o enredo “A Saga Vencedora de Um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, uma homenagem aos estúdios de cinema Vera Cruz e à história de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, destacando a trajetória da cidade e de seus trabalhadores.
Fechando a primeira noite, a Barroca Zona Sul apresentou o enredo “Oro Mi Maió Oxum”, uma homenagem à orixá das águas doces, associada à fertilidade, ao amor e à beleza, em um desfile marcado por referências à espiritualidade e à cultura afro-brasileira.
Segundo dia
Em busca do quarto título no Grupo Especial, a Império de Casa Verde levou à avenida o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”. A proposta foi destacar o empoderamento feminino ao revisitar a história das escravizadas de ganho e o significado simbólico dos balangandãs como marcas de resistência e identidade.
A Águia de Ouro fez uma viagem simbólica a Amsterdã com o enredo “Mokum Amesterdã: O Voo da Águia à Cidade Libertária”. Por meio de um portal mágico, o desfile explorou os vínculos históricos e culturais entre brasileiros e holandeses em uma celebração festiva na avenida.
A Mocidade Alegre homenageou a atriz Léa Garcia no enredo “Malunga Léa — Rapsódia de Uma Deusa Negra”. O desfile destacou o pioneirismo e o protagonismo negro na trajetória da artista, que marcou a história da televisão, do teatro e do cinema brasileiros.
A Gaviões da Fiel apresentou o enredo “Vozes Ancestrais Para Um Novo Amanhã”, celebrando a luta e o legado dos povos indígenas. A escola enfatizou a preservação das florestas e a resistência dos povos originários, com foco na construção de um futuro sustentável.
A Estrela do Terceiro Milênio homenageou o sambista e compositor Paulo César Pinheiro com o enredo “Hoje A Poesia Vem ao Nosso Encontro: Paulo César Pinheiro, Uma Viagem pela Vida e Obra do Poeta das Canções”. O desfile percorreu diferentes momentos da trajetória do artista e destacou a força poética de sua produção musical.
Campeã do Grupo de Acesso I em 2025, a Tom Maior levou ao Anhembi o enredo “Chico Xavier. Nas Entrelinhas da Alma, as Raízes do Céu em Uberaba”. A escola apresentou a história do médium, ao mesmo tempo em que revisitou a formação cultural e religiosa da cidade mineira, conhecida por suas sete colinas.
A Camisa Verde e Branco apresentou o enredo “Abre Caminhos”, dedicado às diferentes manifestações de Exu, orixá associado às encruzilhadas, aos caminhos e à comunicação. O desfile também destacou a formação de seus cultos e a consolidação de sua devoção no Brasil.