A apuração sobre a queda de helicóptero que resultou na morte de Rick, cantor que formava dupla com Renner, e de outras quatro pessoas na última segunda-feira, na Serra Catarinense, entra em fase decisiva para esclarecer as causas do acidente. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) busca respostas sobre o que provocou o impacto que abalou o meio musical brasileiro.
O voo partiu de Porto Belo, no litoral norte de Santa Catarina, durante a manhã de segunda-feira, com destino ao município de São Joaquim. O trajeto de cerca de 190 quilômetros foi interrompido com o sumiço repentino do sinal de comunicação no início da tarde.
Após buscas suspensas durante a noite de segunda-feira, equipes de resgate localizaram os destroços por volta do meio-dia de terça-feira, na região de Santa Bárbara, interior de Urubici. A geografia de mata fechada e montanhas exigiu manobras aéreas com o uso de cordas para o recolhimento dos corpos.
Além do cantor sertanejo, estavam a bordo o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Não houve sobreviventes. O sepultamento de Rick ocorreu no fim da tarde de quinta-feira, em Sorocaba, no interior de São Paulo.
Falhas do helicóptero preocupavam piloto, diz fonte
O Cenipa ainda não liberou nenhum laudo oficial sobre o caso. A principal ferramenta para desvendar os momentos finais do voo está na caixa-preta, localizada intacta pelos peritos na área do desastre.
O equipamento guarda os registros de voz trocados entre o piloto e o copiloto na cabine de comando. Essas gravações indicarão se o helicóptero sofreu pane motora, problemas com instrumentos de navegação ou instabilidade provocada pelas condições climáticas na serra.
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o helicóptero Bell 430 estava com a documentação rigorosamente em dia. Contudo, relatos divulgados pelo portal Leo Dias apontam para episódios de preocupação antes da viagem fatal.
O piloto Antônio Nóbrega de Araújo acumulava 50 anos de experiência na aviação civil e tinha avaliação de excelência no setor. Uma pessoa próxima ao profissional afirmou, em condição de anonimato, que o piloto demonstrava apreensão com falhas apresentadas pela aeronave nos últimos meses.
Entre os fatos investigados, consta um pouso forçado de emergência que esse mesmo helicóptero realizou recentemente no interior de Ibiaçá, no Rio Grande do Sul. O histórico detalhado de manutenções foi encaminhado para a análise dos órgãos de investigação.
Outro ponto que chama a atenção dos investigadores envolve a dinâmica do impacto no solo. O vereador Gilmar Nunes, de Bom Jardim da Serra, acompanhou os integrantes do Corpo de Bombeiros e da Força Aérea Brasileira no acesso inicial à região da queda.
Em relato, o parlamentar destacou ter encontrado garrafas de vinho totalmente intactas em meio aos destroços. O achado levantou a dúvida se o aparelho colidiu em alta velocidade ou se perdeu força ao atingir a copa das árvores antes de chegar ao chão.
O fato de não ter ocorrido explosão nem chamas no momento do choque reforça a necessidade de perícia nos motores e na estrutura. As autoridades de resgate, contudo, ainda não confirmaram tecnicamente as hipóteses levantadas por testemunhas.
Gilmar Nunes também informou ter escutado um sinal sonoro intermitente entre as ferragens da fuselagem. O som, parecido com um bipe, repetia-se em intervalos de 5 a 10 minutos.
A suspeita dos presentes é de que o aparelho emitia sinal por meio do rádio transmissor de localização emergencial. A apuração vai confirmar se o sistema tentou enviar alertas que falharam em alcançar os satélites de busca.
Uma nova linha de apuração aberta pelo Corpo de Bombeiros analisa imagens e registros de áudio colhidos na região serrana. Uma câmera de vigilância de uma propriedade rural vizinha captou um barulho muito forte próximo do horário e local em que os radares perderam o sinal do helicóptero.
A comandante do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, tenente-coronel Heloisa Batiste, confirmou a checagem da gravação. A oficial, no entanto, orienta cautela sobre o dado, já que os testes periciais ainda não comprovaram se o ruído veio da queda do helicóptero.