O depoimento do manobrista responsável pela manutenção da piscina onde uma jovem morreu após, possivelmente, inalar produtos tóxicos, trouxe novos detalhes à investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. Ele prestou depoimento nesta terça-feira (10).
Segundo o delegado Alexandre Bento, o homem trabalhava de forma irregular, pois não possui habilitação técnica para realizar o serviço de limpeza de piscinas.
Rotina de trabalho e ordens superiores
Durante a oitiva, o prestador de serviço detalhou que sua função era estritamente operacional e baseada em orientações remotas. Ele enviava fotos da condição da água para um dos responsáveis. Este, por sua vez, respondia via aplicativo de mensagem indicando as quantidades exatas de cada produto químico que deveriam ser misturadas.
Ainda conforme o depoimento, o homem preparava a mistura em um balde e o deixava na beira da piscina. A aplicação final dos produtos na água não era feita por ele, mas sim por um professor de natação.
O delegado afirmou que, após os esclarecimentos, a situação jurídica do prestador é considerada "mais confortável" no inquérito.
Desdobramentos da investigação
A polícia agora aguarda o depoimento de três proprietários da rede de academias, que possui dez unidades espalhadas por São Paulo. Até o momento, não houve condução coercitiva, e a ida dos donos à delegacia depende de apresentação voluntária.
Um dado relevante apontado pela reportagem é a instabilidade na defesa dos empresários: dois advogados já desistiram de representar os donos da academia desde o início das investigações.
Intoxicação e estado das vítimas
O caso ganhou repercussão após cinco frequentadores passarem mal durante aulas de natação. Entre as vítimas está a professora Juliana Faustino Bassetto, que morreu no último sábado (7). O marido de Juliana, Vinícius de Oliveira, de 31 anos, também participava da atividade e permanece internado em estado grave.
A principal linha de investigação indica que uma mistura inadequada de produtos químicos gerou a dispersão de gases tóxicos no ambiente fechado da piscina. Alexandre Bento explica que a inalação dessa substância causou asfixia, queima das vias aéreas e formação de bolhas no pulmão dos alunos atingidos.
A perícia técnica agora trabalha para identificar quais substâncias foram utilizadas e se a dosagem estava fora dos padrões recomendados ou se houve o uso de produtos irregulares.
Relatos de testemunhas colhidos pela polícia descrevem que os alunos perceberam um odor químico intenso vindo da água pouco antes de sentirem os primeiros sintomas. As vítimas apresentaram queimação nos olhos e episódios de vômito ainda no local.