O gesto de cobrir a boca para falar em campo — prática comum entre atletas para evitar a leitura labial — pode estar com os dias contados. Segundo o ex-jogador francês Mikael Silvestre, o Painel da Voz dos Jogadores da FIFA iniciou discussões internas para sancionar jogadores que utilizarem o recurso ao se dirigirem a adversários.
A medida ganha força após a repercussão insulto racista de Prestianni contra Vinícius Júnior, no duelo entre Benfica e Real Madrid pela Champions League.
Em entrevista à Sky Sports, Mikael Silvestre revelou que o grupo de trabalho da entidade está "muito ativo" na busca por formas de punir esse comportamento.
Por que a FIFA quer proibir o gesto?
Para Silvestre, existe uma diferença clara entre proteger uma estratégia tática e esconder ofensas graves. No caso ocorrido no Estádio da Luz, o argentino Prestianni usou a própria camisa para esconder o que dizia ao brasileiro.
"Uma coisa é falar de tática com companheiros, mas houve claramente ódio entre os jogadores. Talvez tenhamos que punir esse tipo de comportamento, seja colocando as mãos à frente da boca ou tampando-a com a camisa", explicou Silvestre.
O desafio das provas e a punição imediata
A grande dificuldade da FIFA e da UEFA no caso atual é a ausência de provas materiais célere. Embora Kylian Mbappé tenha testemunhado as ofensas, a falta de uma imagem clara da boca do jogador dificulta uma sanção antes do jogo de volta, que acontece em apenas sete dias.
Trabalho em curso: A FIFA estuda como os árbitros podem atuar em campo para coibir o gesto.
Suspensão pesada: A ideia é que, se comprovado o insulto escondido, o atleta receba uma punição exemplar e seja impedido de atuar imediatamente.
O Painel da Voz dos Jogadores: Quem decide?
Criado em 2025, este painel é a linha de frente da FIFA contra o racismo e conta com 16 lendas do futebol mundial de diversas nacionalidades e etnias. Além de Silvestre, o grupo inclui nomes como:
- Formiga (Brasil)
- Didier Drogba (Costa do Marfim)
- George Weah (Libéria)
- Blaise Matuidi (França)
O objetivo do comitê é aconselhar a entidade máxima do futebol sobre ações diretas para erradicar a discriminação nos estádios, garantindo que o "campo de jogo" não seja um território sem lei.