O Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo consolidou um novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC) que revela a sofisticação da estrutura da organização criminosa. A base deste documento é o cruzamento de diversas operações, incluindo dados da Polícia Federal, que identificaram novas categorias de atuação, como a de "associados".
Nesta categoria, destacam-se José Carlos Gonçalves, o Alemão, e Mohamad Hussein Mourad, o João Primo. Ambos foram alvos da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, e são apontados como operadores de um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal que movimentou R$ 40 bilhões. A estrutura envolvia fundos de investimento, bancos digitais e uma rede de postos de combustíveis. Alemão, que já foi sócio de Antonio Vinicius Gritzbach — morto no Aeroporto de Guarulhos em 2024 —, e Mohamad permanecem foragidos.
Organograma do PCC
Conexão com Fuminho e logística internacional
O organograma vincula diretamente os operadores financeiros a Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho. Amigo pessoal de Marcola e atualmente detido no sistema penitenciário federal após ser capturado na África, Fuminho é o responsável por unificar a logística da droga na América do Sul.
As investigações apontam que ele estruturou o fluxo da cocaína desde a produção em fazendas na Bolívia, passando pelo Paraguai, até a entrada no Brasil e o posterior despacho para a Europa através dos portos nacionais. O papel dos associados, como Alemão, tornou-se estratégico para integrar esse capital bilionário ao sistema financeiro legal.
Auditoria interna e controle digital
A Polícia Civil identificou a criação de divisões que mimetizam estruturas corporativas e estatais, visando profissionalizar a gestão da facção:
- Setor Raio X: Liderado por Gratuliano De Sousa Lira, o "Baianinho", funciona como uma corregedoria interna. Suas atribuições incluem auditoria financeira, monitoramento da conduta de integrantes e aplicação de punições disciplinares.
- Sintonia Interna da Internet: Descrita como uma "Secretaria de Comunicação", esta nova célula gerencia mensagens em aplicativos criptografados e monitora redes sociais.
- Gestão de Imagem: O objetivo do setor digital é padronizar discursos, monitorar o conteúdo publicado por membros e evitar a exposição indevida que possa comprometer o sigilo das operações.
A estruturação dessas novas "sintonias" demonstra a preocupação da organização em manter o controle rigoroso sobre seus ativos e sobre a narrativa pública de seus integrantes, consolidando sua atuação como uma máfia transnacional.