O primeiro debate do segundo turno das Eleições 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de domingo (18) na Band, expôs divergências em segurança pública, economia, saúde, ética e projetos de futuro, em um confronto direto que passa a orientar a reta final antes da votação de 25 de outubro.
1. Segurança pública, 'saidinha' de presos e combate às facções
A segurança pública dominou os primeiros blocos. Flávio Bolsonaro defendeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, aplicar lei antifacção com penas de até 80 anos a líderes criminosos e criar mais de 500 mil vagas prisionais. Ele criticou a saída temporária de detentos, apoiou a redução da maioridade penal para 16 anos e citou castração química para abusadores.
Lula respondeu que a legislação atual busca ressocializar apenados em regime semiaberto com bom comportamento e não vale para crimes hediondos. O presidente defendeu uma PEC para que a União coordene a segurança, afirmou que a gestão isolada dos estados fracassou no combate às facções e disse querer o voto de todos os apenados em condição de votar, incluindo Jair Bolsonaro.
2. Economia, dívidas das famílias e escala 6x1
Na economia, Flávio Bolsonaro atacou a inflação dos alimentos e o nível de endividamento federal, classificando a gestão fiscal atual como descontrolada. Ele prometeu cortar gastos e remanejar mais de R$ 200 bilhões do orçamento para um programa de apoio ao pagamento de dívidas de famílias e empresas. Sobre jornada de trabalho, lembrou ter votado pelo fim da escala 6x1 após ouvir reivindicações por mais descanso.
Lula sustentou que sua política econômica estimula a circulação de renda e o fortalecimento de micro e pequenas empresas, citando a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e o avanço dos MEIs. O presidente destacou o reajuste do salário mínimo com ganho real e medidas de renegociação, como leilões de créditos com descontos de até 92% e perdão de débitos de pequenos empreendedores.
3. Saúde: SUS 'padrão Einstein' x defesa do sistema público
Na saúde, o debate girou em torno do modelo de gestão do SUS. Flávio Bolsonaro detalhou a ideia de um “SUS padrão Einstein” e afirmou que convidou o médico Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Albert Einstein, para o Ministério da Saúde. O plano inclui um Prontuário Único Eletrônico vinculado ao CPF, integração entre redes pública e privada e expansão da telemedicina.
O senador reconheceu falhas na área durante o governo de seu pai, atribuindo-as a uma crise sanitária inédita. Lula questionou se o projeto adversário não representaria privatização da rede estatal e retomou críticas à condução da pandemia de Covid-19.
O presidente defendeu mais investimentos públicos no SUS, a ampliação do Mais Médicos no interior, o fortalecimento da farmácia popular com medicamentos gratuitos e a estruturação do diagnóstico precoce de câncer na rede pública.
4. Caso Lulinha, Banco Master e sigilo bancário
Os momentos mais tensos ocorreram nas acusações sobre ética e investigações. Flávio Bolsonaro pediu explicações a Lula sobre declarações da empresária Roberta Luchsinger e questionou o padrão de vida de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no exterior. Ele também mencionou apurações ligadas ao Banco Master e a fraudes em descontos previdenciários no INSS.
Lula respondeu que seu filho colocou voluntariamente o sigilo bancário e telefônico à disposição das autoridades e afirmou que, em seu governo, a Polícia Federal investiga eventuais irregularidades sem blindagem familiar. Na sequência, o presidente citou investigações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro e desafiou o adversário a abrir, simultaneamente, contas bancárias e sigilos telefônicos de suas famílias perante o STF e o TSE antes do dia da votação.
5. Projetos de futuro: Ministério da Prosperidade e economia criativa
Ao discutir propostas para um eventual próximo mandato, os candidatos apresentaram prioridades distintas. Flávio Bolsonaro anunciou a criação de um Ministério da Prosperidade para unificar e reajustar programas sociais como o Bolsa Família. Ele defendeu reconhecer a internet como infraestrutura essencial para conectar escolas, hospitais e comunidades e propôs transformar a Caixa Econômica Federal em “Banco da Prosperidade”, voltado a microcrédito e capacitação de empreendedores informais.
Lula concentrou sua agenda em reindustrialização e inovação tecnológica por meio do programa Nova Indústria do Brasil. O presidente defendeu a formação em larga escala de jovens em engenharia, matemática e tecnologia digital para apoiar a instalação de data centers, além de ampliar linhas de financiamento à economia verde e à economia criativa para elevar a produtividade industrial.
Como assistir ao debate entre Flávio e Lula na íntegra
- Assista ao vivo pelo canal Band Jornalismo no YouTube;
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