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PF aponta relação entre Jaques Wagner e executivos do Master desde 2019
Lula Marques/ Agência Brasil

Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA) mantém uma relação de proximidade com executivos do Banco Master pelo menos desde 2019. O documento faz parte de uma investigação que apura o suposto recebimento de vantagens indevidas pelo parlamentar em troca de articulações em favor do banco. O sigilo do processo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a Informação de Polícia Judiciária nº 1881548.2026, os vínculos entre o parlamentar e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, começaram no período em que Wagner atuava como Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia. Na época, eles trataram da privatização da Empresa Baiana de Alimentos (EBAL) e do desenvolvimento do Credcesta, sistema de crédito consignado para servidores baianos.

As carteiras do Credcesta serviram de base para que Augusto Lima ingressasse na sociedade do Banco Master em 2019 e, segundo a PF, acabaram utilizadas em fraudes de larga escala praticadas entre 2024 e 2025, resultando em desfalques ao Banco de Brasília (BRB).

Atuação parlamentar e supostas contrapartidas

A Polícia Federal sustenta que a relação de confiança entre os dois núcleos familiares favoreceu tratativas envolvendo um apartamento no edifício Poème Horto, repasses para a empresa BN Financeira e movimentações no Congresso Nacional. A investigação indica que Jaques Wagner teria atuado a favor dos interesses do Master ao defender uma emenda para elevar o teto do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Em contrapartida à atuação política, os investigadores apontam que o senador teria recebido benefícios como viagens em aeronaves privadas, garrafas de vinho e ingressos para shows da cantora Taylor Swift realizados em 2023. Em mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro pedia discrição em um voo que teria sido utilizado pelo parlamentar.

Viagens e 74 ligações registradas

O relatório detalha diálogos iniciados em outubro de 2023. Em um dos trechos, Wagner enviou um áudio a Augusto Lima confirmando que ele e a esposa aceitariam um convite para viajar no fim de semana. Logo depois, o empresário repassou os dados e o prefixo do avião que os levaria à "Ilha da Paixão", propriedade de Lima.

O mapeamento telefônico realizado pelos investigadores revelou ainda que Jaques Wagner e Augusto Lima mantiveram contato direto frequente, com pelo menos 74 ligações registradas entre o fim de 2023 e o início de 2025.

A defesa do senador Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre as apontamentos da Polícia Federal.

Fonte: Band.
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