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PF retoma negociações de delação premiada com Daniel Vorcaro

A Polícia Federal (PF) reabriu as negociações para um acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Após a recusa da primeira proposta apresentada pelo empresário, os investigadores classificaram este novo movimento como a "última chance" para que ele colabore com as autoridades brasileiras.

De acordo com delegados que conduzem o inquérito, Vorcaro possui informações cruciais que vão muito além do que foi revelado inicialmente. Em razão disso, a PF enviou um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) formalizando que os investigadores estão abertos à possibilidade de novas revelações que possam auxiliar no desdobramento das apurações.

Foco na recuperação de ativos

O interesse central da Polícia Federal neste momento é a recuperação de ativos financeiros. Investigadores afirmam que a colaboração efetiva do banqueiro é a via mais rápida e segura para reaver, ao menos, R$ 60 bilhões — valor que o próprio Vorcaro sinalizou interesse em devolver aos cofres públicos como parte de uma possível negociação.

Até o momento, a PF identificou uma rede complexa utilizada para movimentar recursos, composta por mais de 200 fundos de investimento e 145 empresas vinculadas a Vorcaro. A estrutura teria sido desenhada especificamente para dificultar o rastreamento das transações bancárias. O cenário torna-se ainda mais desafiador devido à presença de contas e ativos no exterior, em jurisdições como Delaware e Miami (Estados Unidos) e Ilhas Cayman, o que torna quase inviável a repatriação sem um acordo formal de delação.

Linhas de investigação e supostas conexões políticas

As investigações da PF sobre o Banco Master se dividem em quatro pilares principais, que incluem desde contratos firmados com empresas ligadas a autoridades até operações envolvendo fundos de pensão:

  • Relações Políticas: Apuração de favores solicitados ou contratos firmados com empresas próximas a figuras de poder.
  • Caso BRB: Suspeita de pagamentos indevidos do banco à cúpula do Banco de Brasília e diretores do Banco Central.
  • Financiamento Cultural: Repasse de R$ 60 milhões para um fundo no Texas destinados ao filme "Dark Horse", que aborda a vida de Jair Bolsonaro.
  • Fundos de Previdência: Envolvimento de recursos de três estados e ao menos sete municípios, incluindo duas capitais.

O caso do ex-governador Cláudio Castro

Segundo os registros da Polícia Federal, o estado do Rio de Janeiro é o maior investidor no Banco Master e em fundos administrados pela instituição, com aportes que somam aproximadamente R$ 2,5 bilhões por meio da Rioprevidência.

A investigação aponta para uma relação próxima entre o ex-governador Cláudio Castro e Daniel Vorcaro. Registros mostram que diversos repasses de recursos da Rioprevidência coincidem com encontros entre ambos. Um desses episódios teria ocorrido em maio de 2023, em um restaurante de luxo em Nova York, pertencente ao influenciador conhecido como Salt Bae.

Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que, logo após o jantar, Castro enviou uma mensagem a Vorcaro agradecendo pela experiência "incrível". A agenda oficial do ex-governador confirma sua estadia em Nova York entre os dias 9 e 11 de maio de 2023.

Em nota, a defesa de Cláudio Castro negou veementemente a existência de qualquer "relação pessoal indevida" com o dono do Banco Master. O ex-governador afirmou estar convicto da lisura de seus atos, declarando que "a verdade será esclarecida" e que precisa de tempo para que "as meias verdades caiam".

Fonte: Band.
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