Uma grande operação policial em Salvador conseguiu identificar e retirar mais de 320 câmeras de monitoramento instaladas clandestinamente por uma quadrilha que dominava o tráfico de drogas na capital baiana.
Além de monitorar áreas com intenso comércio de entorpecentes, os criminosos utilizavam os equipamentos para observar a movimentação de moradores e, principalmente, a chegada das forças de segurança pública nas comunidades.
Entenda a estratégia da quadrilha
O grupo criminoso não apenas instalava as câmeras, mas também realizava furtos de energia e de sinal de internet para manter o sistema em pleno funcionamento. Segundo as investigações, os suspeitos exerciam um controle absoluto na região, proibindo inclusive que operadoras de telefonia realizassem instalações nos locais dominados.
"De setembro pra cá nós já estamos com 320 câmeras retiradas. Ou seja, foram 322 câmeras em que o tráfico de drogas deixou de observar tanto as organizações criminosas rivais como principalmente a atuação das forças de segurança pública", afirmou o tenente-coronel Alan.
Os moradores, por sua vez, eram obrigados a contratar o serviço de internet clandestino oferecido pela própria quadrilha, sob ameaça de represálias caso recusassem. A Polícia Civil agora concentra seus esforços em rastrear endereços de IP, redes em nuvem e modems para identificar quem operava o sistema central de monitoramento.
Ações em outras capitais
O método de utilizar câmeras para vigiar a polícia não é um caso isolado em Salvador. Em Recife, uma operação recente também desarticulou uma quadrilha que utilizava 43 câmeras instaladas na fiação dos postes para monitorar a Zona Oeste da capital pernambucana. Alguns dos equipamentos encontrados na capital de Pernambuco estavam pintados de preto para não serem notados. Na ocasião, seis pessoas foram presas e a estrutura completa foi desmontada.
As investigações continuam com desdobramentos importantes. Segundo a polícia, um escritório de advocacia foi alvo de busca e apreensão sob a suspeita de que um dos investigados atuava como "operador jurídico" da organização criminosa.