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Polilaminina: remédio brasileiro para lesão medular anima pacientes
© Agência Gazeta

Desenvolvido por pesquisadores da UFRJ e produzido por uma indústria farmacêutica em Itapira (SP), o medicamento experimental polilaminina tem dado esperança a pessoas com lesão na medula espinhal no Brasil, mas especialistas reforçam que o remédio ainda está em fase inicial de testes clínicos autorizados pela Anvisa.

Bruno Freitas, primeiro paciente a receber a substância, sofreu um acidente de carro com a família e teve lesão medular grave, perdendo os movimentos do pescoço para baixo. Vinte e quatro horas depois, recebeu uma injeção com polilaminina e iniciou reabilitação intensiva. Ele conta que, em cerca de dois anos, já estava independente, embora ainda tenha sequelas nas mãos.

O que é a polilaminina

A polilaminina é produzida em laboratório a partir da laminina, proteína presente naturalmente no organismo, especialmente na placenta. O composto foi desenvolvido há cerca de três décadas na UFRJ. A proposta é ajudar a reconstruir conexões da medula espinhal, que leva comandos do cérebro ao resto do corpo e, quando sofre uma lesão, compromete movimento e sensibilidade. A substância já foi testada em animais e em um pequeno grupo de pessoas.

Reabilitação e dúvidas sobre o papel do remédio

Na AACD, em São Paulo, o fisiatra Marcelo Ares acompanhou a recuperação de Bruno e ressalta que ainda é cedo para atribuir os resultados apenas ao medicamento. "Daí a afirmar que foi a polilaminina que fez com que ele tivesse essa evolução fica difícil; teríamos que ter mais estudos", diz o médico, ao lembrar que o jovem também recebeu cuidados intensivos de reabilitação.

Ensaios clínicos e produção no Brasil

A produção em escala da polilaminina é feita pelo laboratório Cristália, em Itapira (SP). A Anvisa autorizou um ensaio clínico de fase 1, etapa que avalia principalmente a segurança e os possíveis efeitos adversos do remédio. Um grupo inicial de cinco pacientes será acompanhado por cerca de um ano. Segundo o vice-presidente do Cristália, Rogério Almeida, o medicamento é obtido a partir de laminina extraída da placenta.

Uso por decisão judicial e exigência de evidências

A repercussão do caso de Bruno e de outros relatos gerou uma onda de esperança entre pessoas com lesões medulares, e muitos passaram a recorrer à Justiça para ter acesso à polilaminina antes da conclusão dos estudos. O Cristália afirma ter recebido 57 pedidos, diretos ou por decisões judiciais, e diz que 28 pessoas já usam o produto. Almeida admite que ainda não há evidências "com o rigor regulatório da Anvisa", mas cita resultados acadêmicos considerados positivos em estudos auditados de forma independente.

Cientistas pedem cautela

Na comunidade científica, a orientação é de cautela. Para a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, a polilaminina ainda é uma pesquisa experimental e precisa seguir todos os protocolos. "A gente não pode se basear em narrativas individuais, por exemplo do paciente Bruno, para tomar decisões precipitadas", alerta. Por enquanto, segundo especialistas, esperança e prudência precisam caminhar juntas quando o assunto é a polilaminina.

   

Fonte: Band.
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