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Trump diz que encontro com Lula foi 'muito produtivo' e anuncia reuniões
© Ricardo Stuckert / PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na tarde desta quinta-feira (7) que o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi “muito produtivo”. Ele também anunciou novas reuniões com representantes dos dois países para os próximos meses. O encontro dos dois durou em torno de três horas na Casa Branca.

“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito produtiva", afirmou Trump em sua rede social. A coletiva de imprensa que era prevista com os dois não ocorreu e Lula deixou a Casa Branca por volta das 15h.

Trump ainda afirmou que representantes dos dois presidente terão novas reuniões para “discutir alguns pontos-chave”. “Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, afirmou o presidente americano.

Lula ainda não falou sobre o encontro. Ele seguiu para a embaixada brasileira em Washington, onde pode falar com a imprensa. Ele chegou à Washington, capital americana, na noite desta quinta-feira (6) em uma comitiva com cinco ministro e com o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A avaliação no Palácio do Planalto era, mesmo antes do encontro, de que um momento público com os dois numa possível coletiva de imprensa poderia ser importante para marcar politicamente o encontro e dar o tom das negociações bilaterais. Havia, no entanto, um receio sobre os impactos das falas dos chefes de estado.

Histórico turbulento

As relações entre Lula e Trump passou por momentos turbulentos desde que o presidente americano tomou posse como presidente, em janeiro de 2025. Os problemas incluíram o tarifaço americano, o apoio do republicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e até a expulsão de um delegado da Polícia Federal dos EUA.

Em julho do ano passado, Trump anunciou taxa de 50% “sobre todas as exportações brasileiras enviadas para os EUA”, provocando tensões comerciais entre os dois países. Na ocasião, o presidente americano citou práticas comerciais desleais” do Brasil e criticou o julgamento de Bolsonaro no STF.

Antes disso, Trump já tinha afirmado que o Brasil estava "agindo de forma terrível no tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Eu observei, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano".

As atitudes do americano fizeram Lula subir o tom, dizendo que a democracia no Brasil é um assunto apenas do povo brasileiro e que o país não aceitará “interferência ou tutela de quem quer que seja”. “Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja.”

Na época, Lula e Trump se encontraram presencialmente na Malásia para discutir, principalmente, questões comerciais. Na reunião, que durou cerca de 50 minutos, Lula disse que “não há motivo para conflito”. Já Trump afirmou: "Acho que chegaremos a uma conclusão com o Brasil bem rapidamente".

Mais recentemente, foi a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho dos EUA que voltou a estremecer as relações dos dois países. A administração Trump afirmou na ocasião que ele tentou “manipular o sistema de imigração” com a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA.

"Nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano", afirmou o setor responsável se referindo à prisão de Ramagem, que é considerado foragido da Justiça brasileira, pela polícia de imigração.

Pontos de discussão

Um dos temas prioritários seria a segurança pública. Os Estados Unidos têm defendido a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, proposta que enfrenta resistência do governo brasileiro. O Planalto avalia que o enquadramento jurídico não é adequado dentro da legislação brasileira.

Apesar da divergência, o governo Lula pretendia avançar na cooperação com os Estados Unidos para combater o tráfico internacional de drogas, o contrabando de armas e a atuação de facções criminosas com impacto nos dois países. A expectativa da comitiva era sair da reunião com algum acordo fechado ou ao menos com negociações avançadas nessa área.

Outro eixo estratégico seria o debate sobre minerais críticos e terras raras. O governo brasileiro queria chegar aos Estados Unidos com a regulamentação do setor aprovada pela Câmara dos Deputados, e o texto foi aprovado de forma simbólica na quarta-feira (6), e é tratado pelo Planalto como um ativo relevante na negociação com Washington.

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também estariam na pauta. O governo pretendia discutir investimentos e ampliar negócios bilaterais, além de defender o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e alvo de questionamentos de setores americanos que alegam impactos sobre empresas dos Estados Unidos.

Fonte: Band.
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