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Uso precoce de celular aumenta em 30% risco de depressão em crianças
Reprodução

Uma dúvida comum entre pais e responsáveis ganhou contornos alarmantes após a divulgação de um estudo recente sobre saúde infantil. A pesquisa, que acompanhou 10.588 adolescentes durante seis anos, revela que quanto mais cedo ocorre o primeiro acesso ao celular, maiores são os riscos para a saúde física e mental dos jovens.

Os dados são contundentes: crianças que possuem um smartphone apresentam 30% mais chances de desenvolver depressão. O impacto se estende à saúde física e ao descanso, com um aumento de 40% no risco de obesidade e 60% de probabilidade de desenvolver distúrbios do sono em comparação com aquelas que não possuem o aparelho.

Impacto no desenvolvimento cerebral

Para especialistas, o problema vai além do conteúdo acessado e reside na forma como a tecnologia interfere na biologia infantil. Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco, especialista em dependência tecnológica, a entrada precoce do dispositivo afeta diretamente o desenvolvimento cerebral.

Nabuco ressalta que o uso excessivo substitui interações presenciais essenciais. "Na medida em que tiro a interação presencial e disponibilizo o celular, perde-se parte dessas interações. Quando se relaciona pelas plataformas, diminui-se as presenciais e não se exercita as habilidades interpessoais", analisa o psicólogo. Ele alerta que, embora a entrega do aparelho seja uma decisão dos pais, é preciso estar ciente das consequências e das "marcas" que o uso deixa no usuário.

A rotina da família Romagnoli exemplifica essa realidade. Kethelyn, hoje com 16 anos, ganhou seu primeiro celular aos seis. Seu irmão, Lorenzo, de 8 anos, passou a ter o aparelho aos cinco. A mãe, Kaisa Romagnoli, afirma que mantém a supervisão constante e impõe limites rígidos ao tempo de tela para tentar mitigar os efeitos negativos.

Recomendações de tempo de tela

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece diretrizes claras para o uso supervisionado e limites de tempo, com o objetivo de proteger o desenvolvimento infantojuvenil. As orientações variam conforme a faixa etária:

Idade Tempo máximo recomendado
2 a 5 anos No máximo 1 hora por dia
6 a 10 anos Entre 1 e 2 horas por dia
11 a 18 anos Entre 2 e 3 horas por dia

O estudo reforça que crianças de 12 anos que já possuem smartphones manifestam mais sintomas depressivos e dormem menos do que seus pares sem o dispositivo. Diante das evidências, a recomendação médica é que a introdução da tecnologia seja o mais tardia possível e sempre acompanhada de mediação parental ativa para garantir a integridade da saúde mental e física dos menores.

Fonte: Band.
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