Uma estudante identificada como Sayonara Doraci da Silva, não pôde comparecer a sua formatura por medo de encontrar o ex-marido. Ela sobreviveu a uma tentativa de feminicídio em fevereiro deste ano, em Apucarana, no norte do Paraná. Mais de um mês depois do crime, o ex-companheiro dela, Ademar Augusto Crepe, permanece foragido.
Neste período, a vítima se formou em Administração na Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Escondida para se manter em segurança, Sayonara não pôde receber o diploma de forma presencial durante a cerimônia de formatura, mas se fez presente por meio de uma carta.
No texto, Sayonara lamenta a ausência e relata que o ex-companheiro não foi mais localizado desde a data do crime, no último dia 10 de fevereiro. Ela também recorda que, mesmo sob o medo causado pela violência, "venceu a faculdade".
Além disso, na carta, ela relata a dificuldade em focar nos estudos enquanto protegia seus filhos do agressor:
“Este diploma que carrega o meu nome é a prova de que, mesmo sob a sombra do medo e da violência, eu não parei. Estudei entre medos e traumas. Escrevi trabalhos enquanto protegia meus filhos. Persisti quando o mundo me dizia que bastava apenas sobreviver”, escreveu Sayonara.
Tentativa de feminicídio sofrida pela estudante
No dia 10 de fevereiro, o carro que ela dirigia foi interceptado por uma caminhonete, em Apucarana. Com o impacto, o carro em que Sayonara estava com o filho foi jogado contra um poste de iluminação pública. A estrutura de concreto caiu sobre o veículo.
A vítima e as testemunhas contaram à Polícia Militar (PM-PR) que Ademar Augusto Crepe, de 58 anos, estava dirigindo a caminhonete. A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de Ademar, que foi aceita pela Justiça no dia 12 de fevereiro.
Até a última atualização desta reportagem, ele permanece foragido.
Trecho da carta escrita por Sayonara
"Formo-me hoje, mas não posso subir ao palco. Enquanto celebramos o fim de um ciclo acadêmico, eu enfrento o auge de um ciclo de injustiça. Não estou aí porque o homem que tentou apagar a minha luz e a vida do meu filho caminha Iivre. Minha ausência nesta festa não é uma escolha, é reflexo da falha de um sistema que ainda obriga a vítima a se esconder enquanto o agressor desfruta da liberdade. Mas quero que saibam: ele não venceu".